Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos e divulga carta com acusações de fraude eleitoral

Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos e divulga carta com acusações de fraude eleitoral

Senador agradeceu aos presidentes Donald Trump e Javier Milei pela ajuda para deixar o Brasil e mudou o texto após se apresentar inicialmente como “verdadeiro presidente eleito”

Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca  (BolsonaroSP/X/Reprodução)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas, e publicou uma carta aberta em que questiona o resultado das eleições presidenciais brasileiras. No documento, ele agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo apoio recebido para deixar o país.

A publicação ganhou repercussão depois que o parlamentar se declarou, na primeira versão do texto, o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Cerca de meia hora depois, o conteúdo foi alterado, substituindo a expressão por “líder do Brasil”. As informações foram divulgadas pela Agência Brasil e pela CNN Brasil.

Viagem passou pela Argentina e pelo Equador

Flávio deixou o território brasileiro na noite de terça-feira (27), cruzando a fronteira com a Argentina pela região de Foz do Iguaçu, no Paraná. Em seguida, embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami, na Flórida.

A chegada aos Estados Unidos ocorreu na manhã de quarta-feira. A viagem aconteceu em meio a questionamentos sobre as circunstâncias da saída do senador, especialmente após a divulgação de informações divergentes sobre seu paradeiro.

Segundo a CNN Brasil, a Polícia Federal informou que não encontrou registro oficial da saída do parlamentar pelos postos brasileiros de controle migratório.

Carta questiona resultado das eleições

No documento divulgado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro alegou que houve fraude na eleição presidencial e criticou uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que estendeu o horário de votação até as 19h em determinadas circunstâncias.

O senador sustentou que a medida teria interferido no processo eleitoral, mas não apresentou provas que comprovassem a acusação. O resultado oficial, reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.

A Justiça Eleitoral informou que o pleito ocorreu dentro da normalidade e em conformidade com as regras legais. O resultado também foi reconhecido por autoridades brasileiras e representantes internacionais, conforme as informações publicadas pela Agência Brasil.

Parlamentar afirma que comandará oposição do exterior

Na carta, Flávio declarou que pretende continuar sua atuação política a partir dos Estados Unidos. Ele afirmou que liderará a oposição fora do Brasil e que pretende assumir posicionamentos que, segundo ele, parlamentares que permaneceram no país não poderiam adotar.

O senador também criticou decisões judiciais relacionadas à determinação de entrega de seus passaportes pessoal e diplomático. A ordem foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a pedido da Polícia Federal.

Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no Supremo. Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas, enquanto o outro investiga o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro. As investigações não equivalem, por si só, a uma condenação.

Mudança no texto repercute no meio político

A alteração da carta, que retirou a declaração de que seria o “verdadeiro presidente eleito” e passou a apresentá-lo como “líder do Brasil”, ampliou a repercussão do episódio.

O caso também provocou manifestações de parlamentares e questionamentos sobre as circunstâncias da viagem. Integrantes da oposição cobraram apuração sobre possíveis apoios políticos e financeiros que teriam facilitado a saída do senador.

Até o momento, as acusações de fraude eleitoral apresentadas por Flávio Bolsonaro não foram acompanhadas de provas que contrariem o resultado oficial das urnas. A controvérsia envolve tanto o conteúdo da carta quanto os desdobramentos políticos e jurídicos da ida do parlamentar aos Estados Unidos.



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