
— Por David Ribeiro Jr. —
Teófilo Otoni
Que o último a sair, apague a luz! Que triste! Mas é assim que está o quadro político do Brasil atualmente.
Não é exagero. Não é figura de linguagem. Estamos, de fato, a três meses das eleições mais conturbadas da história recente do Brasil — talvez as mais tensas desde a redemocratização. O cenário, longe de clarear, parece ficar mais enevoado a cada dia. Enquanto os brasileiros anseiam por alguma luz no fim do túnel, somos quase que todos os dias surpreendidos com uma escuridão ainda mais densa e perturbadora.
A esta altura, a menos de três meses de depositar o voto na urna, o cidadão brasileiro está se perguntando: “Em quem votar para presidente?”
O quadro é o seguinte:
LULA
O atual presidente — e candidatíssimo à reeleição desde sempre — Luiz Inácio Lula da Silva segue desgastado, com rejeição alta, mas também com o maior índice de intenção de voto, segundo as últimas pesquisas publicadas. É o paradoxo perfeito para ilustrar o Brasil de 2026: um presidente que apanha de todos os lados, mas que, ainda assim, mantém a dianteira. Convenhamos que isso diz muito mais sobre o país do que sobre ele.
FLÁVIO BOLSONARO
Do outro lado, o principal candidato da oposição, Flávio Bolsonaro vive seu próprio inferno astral. Chegou a pontuar em alguns momentos acima de Lula nas pesquisas, mas aí se atirou de cabeça num turbilhão de problemas de toda ordem.
O pior de todos foi o escândalo envolvendo o pedido de dinheiro ao banqueiro corrupto Daniel Vorcaro (Banco Master) para concluir o filme biográfico do pai, Jair Bolsonaro. Quando questionado pela imprensa, negou; depois, desconversou; depois, tentou minimizar quando se soube que o buraco era ainda mais embaixo. Enfim, o escândalo caiu como uma bomba no núcleo bolsonarista… aliás, caiu como uma bomba na Direita como um todo.
Como se não bastasse, Flávio ainda foi bombardeado pelos ataques públicos da madrasta Michelle Bolsonaro (leia aqui) — um episódio que, por si só, já seria suficiente para abalar qualquer estrutura familiar e política.
Mas como miséria pouca é bobagem (e aqui me contive de usar aquela palavra que é, de fato, utilizada neste ditado), começou a crescer nas redes sociais as menções a uma suposta manobra jurídica envolvendo o advogado Willer Tomaz (também grafado como Willer Tomás), que alguns dizem ser “um dos melhores amigos de Flávio”, para tomar a casa que o jogador Richarlison e seu sócio haviam adquirido em Angra dos Reis. Verdade? Mentira? Exagero? Não importa. Em política, quando a fumaça é grande, o fogo costuma estar por perto. E se alguém está sendo queimado é…
Pois é! Flávio Bolsonaro. De novo, ele.
RENAN SANTOS
Nesse ambiente político caótico, quem tem surfado é Renan Santos, do partido Missão. O candidato vem crescendo substancialmente porque não está envolvido em nenhuma dessas guerras pra lá de intestinas dos seus dois principais concorrentes.
Enquanto Lula e Bolsonaro (qualquer que seja) se desgastam, Renan aparece como o nome que fala para quem está cansado da velha disputa, mas também não se identifica com o discurso antipolítica vazio. Ele ocupa o espaço que sempre existiu, mas que poucos souberam enxergar: o do eleitor que não quer nem o passado nem o presente ruim — quer outra coisa.
Os adversários têm cavado fundo em busca de escândalos para conter o avanço de Renan, mas ele sempre tem uma resposta pronta, uma explicação válida, e quanto mais tentam jogar merda nele, mais Renan transforma essa merda toda em adubo, surfa na projeção que os próprios inimigos o emprestam quando o criticam, e assim vai crescendo, ponto a ponto, já estando em terceiro absoluto, isolado na frente de ex-governadores como Ratinho Jr., Ronaldo Caiado, e até mesmo do mineiro Romeu Zema.
E aqui vale uma reflexão: não é que Renan seja unanimidade. Não é que seja o salvador da pátria. É que, num cenário em que os dois polos estão feridos, quem aparece inteiro vira alternativa. E alternativa, em ano de eleição conturbada, vale ouro. Eu, David, ouso dizer que o partido Missão, do Renan, conseguirá, em pouco tempo, o que o PT precisou de décadas: formar uma base forte para torná-lo em questão de anos a maior máquina partidária deste país. Anota aí pra me cobrar depois.
E que venha outubro!
Como eu sempre digo: Quem viver, verá!




