Eleição de Ugleno é prova de fogo para o Governo Marinho

Eleição de Ugleno é prova de fogo para o Governo Marinho

O vereador UGLENO ALVES ao lado da equipe de campanha que pretende conduzi-lo a um mandato de deputado estadual (foto: Reprodução)

— Por David Ribeiro Jr. —
Teófilo Otoni

Agora é tudo ou nada!… Na última sexta-feira, dia 03, o Clube da Maturidade foi palco de uma daquelas noites que fazem barulho na política local. O jovem vereador UGLENO ALVES (PL), presidente da Câmara Municipal, lançou oficialmente sua pré-candidatura a deputado estadual. Foi uma verdadeira festança — daquelas com bandeira, discurso, aplauso, gente importante e clima de “agora vai”.

Tomara, de verdade, que seja o início de mais uma jornada vitoriosa na vida desse rapaz que merece muito vencer, até por tudo o que representa!

As estrelas — Domingos Sávio, pré-candidato ao Senado, estava lá. Nikolas Ferreira, padrinho político de Ugleno, entrou ao vivo por telefone, reforçando que é necessário eleger o presidente da Câmara para fortalecer a bancada conservadora na Assembleia. O prefeito Fábio Marinho, acompanhado de grande parte do secretariado, também compareceu. Enfim, foi um lançamento de campanha muito digno.

Bem… até aqui, nada novo para quem acompanha política, afinal, esses fatos ocorreram há uma semana. Mas há algo que ninguém está falando — ainda. Porém, quem tem um mínimo de juízo já se deu conta disso faz tempo:

O que está em jogo…
A eleição de Ugleno é, sim, e sem exagero, uma prova de fogo para o Governo Marinho. Não para Ugleno, mas para Marinho. Calma lá que explico…

Porém, antes que algum apressado distorça o que estou dizendo: Não serei aqui irresponsável de afirmar que Marinho “tem de” eleger Ugleno. Marinho não tem de fazer nada. Ele é um homem livre para fazer escolhas e arcar com as consequências das suas escolhas.

O que estou evidenciando é que há alguns fatos que precisam ser postos à mesa — e fatos, convenhamos, são teimosos. Alguém já disse, muito acertadamente, que “contra fatos não há argumentos”. Um desses fatos é que…

Marinho é uma liderança nova. E líderes novos precisam se provar… o tempo todo.

O prefeito Fábio Marinho chegou ao poder sem lastro em grupos tradicionais. Chegou bonito, chegou forte, chegou com narrativa. Mas, como acontece com todo nome novo que vence uma eleição, agora precisa consolidar sua força.

Quem não acredita nisso, que se lembre, então, de que:

  • Bolsonaro chegou ao poder como Dark Horse (como se autointitula no filme biográfico) e, apesar de todo o crescimento da direita no Brasil, não conseguiu se reeleger;
  • Zema, embora tenha sido reeleito (ameaçando o eleitor com o fantasma da possível volta do PT ao Estado), enfrenta desgaste porque não consolidou alianças regionais. As pesquisas não estão nada boas para o seu sucessor — mesmo sendo o mais preparado de todos os pré-candidatos que se apresentaram ao pleito.

Mas voltemos à Equação Marinho e Ugleno. Quando um nome novo chega ao poder, precisa mostrar que não é apenas um acidente eleitoral, e sim uma liderança real. Nikolas Ferreira está fazendo isso muito bem (embora seja outra realidade, pois disputa o parlamento).

É exatamente essa métrica do novo líder que está em jogo em Teófilo Otoni. Qualquer pessoa sensata que tenha o mínimo conhecimento de ciência política… o mínimo já basta… sabe que só estou falando o óbvio — por mais indigesto que seja.

Como se não bastasse, o PT quer voltar. E está jogando pesado. Algumas das principais lideranças petistas locais dedicam grande parte de suas redes sociais a criticar a Administração Marinho, apontar vulnerabilidades e desgastar o governo. É o jogo. E o jogo está sendo jogado. Faz parte.

Na ala que nos acostumamos a chamar de “Centro”, já tem gente com chapa pronta para 2028. Um grupo que ficou com Marinho na última eleição, mas que não voltará a apoiá-lo, já tem nome certo para prefeito e vice na próxima disputa (e há quem diga que orçamento também).

Marinho está cercado por adversários que se movimentam — à Esquerda e ao Centro. Ele vai se isolando à Direita. Agora precisa pelo menos ampliar e consolidar sua posição. Precisa se mostrar “forte”.

Por ter a máquina na mão, o mínimo que se espera de um prefeito que tenha sido eleito em nome de uma nova política, é que se mostre um homem de grupo. Precisa mostrar que seu grupo sabe o que está fazendo, que não está perdido, e que tem um projeto. Isso passa, em grande medida, pela eleição de Ugleno a deputado estadual.

O prefeito Marinho (esq) precisa ajudar a eleger Ugleno Alves (dir) deputado estadual para mostrar a força do seu governo como nova liderança política de Teófilo Otoni (foto: Reprodução)

E, detalhe importante: Não se trata simplesmente de eleger Ugleno para ter um deputado estadual. Se Ugleno não for eleito, muita gente na Assembleia vai querer palco em Teófilo Otoni em 2030. Sendo assim, não faltarão deputados que mandarão uma verbinha aqui e ali para o prefeito. O que está em jogo não é apenas “ter um deputado”, e sim mostrar força para eleger o seu próprio.

Em Marketing, o que se comenta sobre um fato é mais importante do que o fato em si. Hoje, o governo não pode se dar ao luxo de passar para o povo a imagem de quem não consegue eleger o próprio candidato porque isso vai refletir… adivinha?!… em 2028. Isso é péssimo para qualquer grupo político que tenta se consolidar. E, por favor, não me venha com esse papo de que Marinho talvez não dispute a reeleição. Até parece!

Em São Paulo, o Movimento Brasil Livre (MB) fez o caminho inverso: primeiro elegeu base parlamentar, depois disputou prefeitura, governo e agora até Presidência.

Marinho vive o contrário: se elegeu primeiro prefeito, e agora precisa eleger um deputado para provar força.

Talvez você questione: “Mas Getúlio, Maria José e Daniel também não elegeram seus deputados…”

Sim. Mas:

  • Getúlio já era Getúlio — consolidado, gigante, incontestável.
  • Maria José e Daniel eram prefeitos pelo PT — e o PT é o PT. Já basta.

Marinho não tem esse colchão político. Precisa construir o seu próprio. E, de novo: essa construção passa em grande parte pela eleição do seu candidato a deputado estadual.

Agora, antes que algum analfabeto funcional, incapaz de interpretar textos mais analíticos, diga que estou falando mal do prefeito… não estou. Marinho, que é um homem de rara inteligência, sabe que só estou falando o “óbvio”. Há quem possa reclamar de que esse “óbvio” é bastante indigesto para o momento, mas ainda assim é apenas o óbvio. Escondê-lo não o tornará menos óbvio.

Além de ser um homem de rara inteligência, digo mais sobre Marinho: acredito, de verdade, que vem tentando empreender uma administração eficiente. Mas política, e ele sabe muito bem disso, não é consolidada apenas com eficiência administrativa. É claro que um bom governo do ponto de vista dos números é importante, mas a consolidação se dá também através da narrativa, do grupo, da força. Enfim, é a capacidade de multiplicação de verdade.

Isso é tão evidente para Marinho (embora talvez não seja para uma boa parte dos puxa-sacos) que o próprio prefeito se envolveu pessoalmente na articulação para que boa parte da Administração estivesse presente à solenidade de lançamento da pré-campanha de Ugleno. Fez o certo. Fez o que um líder inteligente no seu lugar deve fazer.

O prefeito Marinho fez a coisa certa ao levar uma grande comitiva para, em nome do grupo, prestigiar a solenidade de lançamento da campanha de Ugleno. Agora só falta apoiar de fato (foto: Reprodução)

Mas é claro que Marinho tem consciência, também — como qualquer bom estrategista sabe — que não basta estar no palco. É preciso transformar a equipe em uma corrente multiplicadora de fato.

E aqui está o ponto central de todo esse artigo: Ugleno, hoje, precisa menos ser eleito do que a Administração precisa elegê-lo. Ugleno, mesmo que fique na suplência, continuará na base de Nikolas — que está sendo preparado para ser presidente, talvez governador já na próxima eleição.

Ugleno ganha se for eleito. Ganha menos se não for. Mas não perde tudo. Está no caminho para coisas grandes e caminhos que levam ao topo.

Já a Administração, que é um grupo novo tentando se consolidar, pode se desgastar profundamente agora se não fizer o dever de casa.

Para o Governo Marinho, eleger Ugleno deputado estadual é, sem nenhuma dúvida, a primeira grande prova de fogo desde a eleição do próprio Marinho há dois anos.

E, por último…

Antes que algum espírito de porco diga que este texto é matéria paga, faço questão de deixar claro: preferi não tocar neste assunto com Ugleno. Sei que, como o cara do bem que ele é, não iria querer publicar algo que pudesse criar arestas com nomes da Administração.

Contudo, digo eu: se as arestas surgirem, só servirão para mostrar que a situação do grupo, enquanto grupo, é ainda pior do que descrevo aqui, pois não aceita ser confrontado com a realidade — com o que é óbvio.

Mas Marinho, como um bom comandante que é, tem três meses para cumprir essa missão. Dá tempo de conscientizar e treinar a tropa.

Como eu sempre digo: quem viver, verá!

Por David Ribeiro Jr.

David Ribeiro Jr. é editor-chefe do Portal minasreporter.com

E-mail: davidsanthar@hotmail.com



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