Justiça Federal determina medidas urgentes para enfrentar crise humanitária do povo Maxakali em Teófilo Otoni

Justiça Federal determina medidas urgentes para enfrentar crise humanitária do povo Maxakali em Teófilo Otoni

Decisão atende parcialmente a pedido do Ministério Público Federal e obriga União, Estado, Funai e quatro municípios do Vale do Mucuri a adotar ações emergenciais nas áreas de saúde, alimentação, abastecimento de água e proteção aos indígenas

A Justiça Federal determinou a adoção de uma série de medidas emergenciais para conter a crise humanitária enfrentada pelo povo indígena Maxakali, que vive em aldeias localizadas no Vale do Mucuri, em Minas Gerais.

A decisão liminar atende parcialmente a uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF), que denunciou graves violações de direitos fundamentais enfrentadas pelas comunidades indígenas.

Na decisão, o magistrado afirma que os Maxakali vivem um verdadeiro “Estado de Coisas Inconstitucional”, caracterizado por elevados índices de mortalidade infantil, desnutrição, falta de acesso à água potável, dificuldades no atendimento à saúde e denúncias de discriminação institucional.

As determinações são direcionadas à União, à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), ao Governo de Minas Gerais e às prefeituras de Bertópolis, Ladainha, Santa Helena de Minas e Teófilo Otoni.

Foto do povo indígena Tikmũ’ũn Maxakali, que residem no Vale do Mucuri — Foto: Divulgação/MPF

Medidas têm prazos entre 24 horas e 60 dias

A decisão estabelece um cronograma para que os órgãos públicos adotem providências imediatas e estruturais. Entre as determinações mais urgentes está a realização de exames laboratoriais em casos de surtos de diarreia nas aldeias no prazo de 24 horas.

Também foi determinado que, em até 30 dias, seja iniciado o fornecimento contínuo de água potável às comunidades, implantado atendimento de saúde 24 horas nas aldeias e garantida a distribuição regular de cestas básicas às famílias indígenas. Além disso, deverão ser abertas investigações para apurar denúncias de racismo institucional envolvendo o atendimento prestado à população Maxakali.

Reforço na saúde indígena

Entre as medidas de médio prazo, a Justiça determinou o reforço das equipes multidisciplinares de saúde indígena, a retomada das atividades presenciais da Funai na região, a capacitação de profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimento intercultural e a reestruturação da Unidade Básica de Saúde Indígena da Aldeia Verde.

O juiz também determinou a realização periódica de exames para diagnóstico de parasitoses e anemias, doenças apontadas como recorrentes entre os indígenas em razão das condições sanitárias enfrentadas pelas comunidades.

Descumprimento poderá gerar multas

A liminar prevê a aplicação de multas diárias que variam entre R$ 15 mil e R$ 60 mil caso os órgãos responsáveis deixem de cumprir as determinações judiciais dentro dos prazos estabelecidos. Os valores, segundo a decisão, deverão ser destinados ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD).

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informou que acompanha a situação das comunidades Maxakali e ressaltou que a atenção primária à população indígena aldeada é atribuição do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (Sasi-SUS), coordenado pelo Ministério da Saúde. A pasta afirmou ainda que atua de forma complementar, oferecendo serviços de média e alta complexidade, transporte sanitário, medicamentos e apoio técnico aos municípios.

MPF denunciou cenário de violações de direitos

A ação que originou a decisão foi proposta pelo Ministério Público Federal após o órgão identificar um cenário de sucessivas violações de direitos nas aldeias Maxakali. Entre os principais problemas apontados estão a elevada mortalidade infantil, a insegurança alimentar, a escassez de água potável, a precariedade do atendimento de saúde e as dificuldades enfrentadas pelas comunidades para acessar serviços públicos essenciais.

Segundo o MPF, a adoção das medidas emergenciais é indispensável para preservar a vida e garantir condições mínimas de dignidade aos povos indígenas da região enquanto soluções estruturais são implementadas.

(Com informações do G1 Minas)



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