
Em meio ao aprofundamento do racha no bolsonarismo, o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez um movimento que escancara ainda mais as fissuras no grupo: elogiou publicamente o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) enquanto criticou a postura do próprio irmão, Eduardo Bolsonaro, em meio à troca de ataques entre os dois.
Durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., nesta segunda-feira (6), Flávio classificou como equivocada a ofensiva de Eduardo contra Nikolas.
“Nesse momento eu acho que não é inteligente”, afirmou, ao comentar a escalada do conflito dentro do próprio campo político. O senador ainda tentou relativizar o embate, dizendo que seria preciso “deixar a vaidade de lado” em nome de uma suposta unidade.
Apesar do apelo à pacificação, Flávio adotou um tom elogioso em relação a Nikolas, reforçando a divisão. O deputado foi descrito como “a maior potência digital” do grupo e um “moleque de ouro”. “Apesar da idade baixa pra política, ele é maduro, inteligente, entende o jogo político e ajuda demais”, declarou.
Ao mesmo tempo, Flávio sugeriu que a postura de Eduardo estaria sendo influenciada por sua situação pessoal. O ex-deputado está no exterior desde fevereiro do ano passado e enfrenta bloqueios financeiros decorrentes de uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Flávio, o irmão vive sob pressão e tensão constantes. Nikolas Ferreira, inclusive, compartilhou o vídeo com o trecho da entrevista em que Flávio Bolsonaro o elogia.
Troca de ataques expõe crise
A fala do senador ocorre após mais um episódio de confronto público entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira, que elevou o tom da crise interna. A briga começou quando Eduardo criticou Nikolas por compartilhar conteúdo de um perfil de direita que não apoiaria a pré-candidatura de Flávio à presidência. Em tom acusatório, Eduardo insinuou deslealdade política e questionou o compromisso do deputado mineiro com o grupo.
A situação escalou quando Nikolas respondeu com um “kkk” — interpretado por Eduardo como deboche. A reação foi imediata e agressiva. O ex-deputado acusou Nikolas de desrespeitar sua família e afirmou que “os holofotes e a fama” teriam corrompido o parlamentar.
“Não há limites para seu desrespeito comigo e minha família”, escreveu Eduardo, que também acusou Nikolas de impulsionar conteúdos de pessoas que “odeiam” os Bolsonaro e de atuar contra quem teria ajudado em sua ascensão política.
Ele foi além e afirmou que o deputado estaria colocando Flávio em uma “espiral do silêncio”, ao não oferecer apoio público consistente à sua pré-candidatura.
Crise se arrasta e envolve outros nomes
O episódio não é isolado. A tensão entre Eduardo, Nikolas e outros nomes do entorno bolsonarista já vinha se acumulando há meses.
Em fevereiro, Eduardo já havia criticado publicamente Nikolas e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro por, segundo ele, não se engajarem suficientemente na campanha de Flávio. Na ocasião, chegou a afirmar que ambos estariam “jogando o mesmo jogo” e negligenciando o projeto político da família.
Durante a nova crise, outros personagens também entraram em cena. Jair Renan Bolsonaro publicou indiretas nas redes sociais, enquanto Michelle compartilhou um vídeo de Nikolas — gesto interpretado como um sinal de alinhamento com o deputado, ampliando o desconforto dentro do grupo.
Tentativa de contenção fracassa
Diante da repercussão negativa, Flávio tentou atuar como mediador. No último sábado (4), publicou um vídeo pedindo união e classificando a situação como “angustiante”. “É muito angustiante ver lideranças do nosso lado se digladiando enquanto a gente tem um país para resgatar”, disse.
Nikolas respondeu de forma protocolar, endossando o discurso: “Concordo, presidente. Cada um fazendo sua parte chegaremos lá”. Apesar disso, o episódio reforça a percepção de desorganização e disputa interna no bolsonarismo, especialmente em um momento considerado decisivo para a articulação eleitoral.
Impacto político e desgaste
A crise ocorre em um contexto já fragilizado: após a prisão de Jair Bolsonaro e sua inelegibilidade, o grupo tenta reorganizar sua liderança — com Flávio sendo alçado à condição de pré-candidato.
No entanto, as brigas públicas, sobretudo envolvendo membros da própria família, têm causado desgaste político. Integrantes do centrão avaliam que os conflitos dificultam alianças e prejudicam a tentativa de Flávio de construir uma imagem mais moderada.
Além disso, o próprio senador admitiu que sua candidatura não era o plano inicial. Segundo ele, o nome mais cotado era o do governador Tarcísio de Freitas, e a decisão de lançá-lo partiu diretamente de Jair Bolsonaro.
(Fonte: Revista Fórum | Via MSN)



