Câmara Municipal realiza audiência pública para discutir serviços da Copasa

Câmara Municipal realiza audiência pública para discutir serviços da Copasa

Na Mesa, coordenando os trabalhos, o autor do requerimento, vereador Roni Franco, e o presidente da Casa, vereador Ugleno Alves (foto: ASCOM PMTO)

— Por David Ribeiro Jr. —
Teófilo Otoni

REBULIÇO — Há poucos dias circulou uma notícia que abalou as estruturas sociopolíticas de Teófilo Otoni. O prefeito Fábio Marinho (PL) disse em entrevista a uma rádio local que retiraria do Município, dando a entender que a substituiria ou que cancelaria o contrato com a estatal.

Assim que assisti ao vídeo que circulou amplamente pelas redes sociais fiquei me perguntando se havia entendido direito. Lembrei-me de quando o ex-prefeito Daniel Sucupira anunciou que retiraria a Viação Vale do Mucuri de Teófilo Otoni, e ela está aí até hoje — e olha que, apesar das críticas, a Viação Vale do Mucuri tem um índice de satisfação média dos usuários muito superior ao que é registrado no transporte público Brasil afora. Já a Copasa… dispensa comentários.

Mas voltemos à Copasa. Logo-logo a notícia foi devidamente esclarecida. Não se tratou de cassar a concessão da Copasa, nem de substituir a empresa na cidade; tratou-se, tão somente, de permitir a terceirização dos serviços da Copasa a uma empresa terceiriza da. A intenção do prefeito era boa, admito, pois ele acreditava que poderia fazer cobranças mais acirradas a essa nova empresa no que diz respeito a cumprir as cláusulas do contrato de prestação de serviços. Mas Marinho logo percebeu que, bom ou ruim, o contrato ainda pertence à Copasa.

Audiência Pública
Teófilo Otoni viveu no último dia 20 mais um capítulo da novela sem fim que é o serviço de água e esgoto prestado pela Copasa e sua subsidiária Copanor. A audiência pública realizada na Câmara Municipal de Teófilo Otoni, presidida pelo vereador Roni Franco, escancarou o que a população já sabe — e com o que sofre — há tempos: o serviço é ruim, caro e, em muitos casos, inexistente.

O salão da Câmara estava lotado durante a audiência pública

A presença de representantes da sociedade civil, especialistas e autoridades locais deu peso ao encontro. Mas o que chamou atenção mesmo foram as falas duras — e necessárias. Roni Franco foi direto: “A Copasa tem virado as costas para o povo.”

Por sua vez, o presidente da Câmara, Ugleno Alves, foi além: “A empresa não é modelo para o Brasil”. E convenhamos: não é mesmo. Porque modelo, por definição, é aquilo que se quer copiar. E ninguém em sã consciência quer copiar um serviço que entrega água de má qualidade, cobra tarifas abusivas e despeja esgoto sem tratamento no Rio Todos os Santos.

O problema é estrutural, mas também é político. A Copasa, como empresa de economia mista, tem acionistas e metas de lucro. E aí mora o conflito: Como conciliar lucro com função social? Como garantir saneamento básico em comunidades rurais e distritos esquecidos, se o retorno financeiro não compensa? A resposta, infelizmente, tem sido o silêncio — ou pior, a omissão.

Balanço
A audiência pública foi importante. Mas não pode ser só mais um evento protocolar para constar na ata. É preciso ação. É preciso que o Executivo Municipal, os vereadores e a sociedade civil pressionem, cobrem, fiscalizem. Porque água e esgoto não são luxo. São direitos básicos. Quando esses direitos são negados, o que se instala é a indignação — e, com ela, a urgência de mudança.

Teófilo Otoni não pode mais esperar. E não deve aceitar menos do que o mínimo: respeito, transparência e serviço digno. Porque, como dizia meu avô, “quem não cuida do básico, não merece o resto.”

Essa audiência terá algum resultado prático?

Quem viver, verá!



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